Coma sobre a relva, seja rápido. Dia ou outro, a relva comerá sobre você.
Jacques Prévert
Tem coisas que é melhor não enrolar para dizer. Então serei direta: recebi o diagnóstico de câncer de mama e o tumor é minúsculo. Pensei muito em postar (ou não) sobre o assunto. Finalmente decidi fazê-lo para desopilar a mente e falar, mesmo que en passant, sobre os exames preventivos.
A coisa toda é muito simples. A gente faz os exames para nunca receber um diagnóstico positivo. Of course meu bem. Porém, garanto que é menos pior descobrir um tumor pequeno do que “something else”, como aconteceu no meu caso. Fala-se em 90% de chances de cura.
Opero na semana que vem. Nesse momento, a maior dificuldade mesmo é abandonar a pimenta, recomendação do Oncoguia. Consigo viver sem cigarros (lá se vão 16 meses) mas sem pimenta? Ou seja, se no próximo post o assunto for crise de abstinência, escusa!
Por que em crítica de arte é que não estou pensando mesmo. Só consigo focar a lente na idéia de que, no final das contas, o mais importante é o que se faz entre o agora e “aquele minuto a menos” do qual ninguém escapa. Com ou sem câncer. Será que houve tempo, por exemplo, para partilhar qual é a minha obra de arte favorita em toda a história da arte?

Não? Então, a minha escolha é uma escultura da deusa Selket. Se encontrasse uma dessas, tascava um beijo. Na verdade são quatro estátuas, ainda influenciadas pela escola de Amarna. Sempre pensei que eram apenas três, formando um conjunto de Graças (aquelas que adoram dançar peladas), mas sua função era a guarda das vísceras de Tutankhamun.
Será que houve tempo de perguntar qual é a sua obra favorita? Não? Então… Qual sua obra favorita? Adoraria saber, certinho?
Sensacional as suas 3 Graças! Creio que minha obra favorita seria uma daquelas coisas indescritíveis do Bosch… O Jardim das Delícias, por exemplo.
Beijo, com a certeza de que este caranguejinho que anda por aí vai dar o fora logo, logo!
Tenho 3 favoritas, mais pq representaram muito pra mim em diferentes períodos da vida do q necessariamente pq são as “melhores”: o quadro “Olympia” de Manet, q está no D’Orsay; a escultura/instalação “Fonte de Mercúrio”, de Miró, que está na Fundação Miró; e qualquer coisa do Lucio Fontana (q são basicamente os cortes, q eu adoro – #loucadegrade ). :)
No mais, Charô, muita força pra vc nesse momento delicado. Chore à vontade, faz um bem danado. Pakavra de quem vem chorando muito ultimamente. ;)
Beijão.