Nova Arte Nova ou não…

Com a participação de artistas em torno de 30 anos, é uma exposição que manifesta por parte do CCBB, da curadoria de Paulo Venancio Filho, e da FazerArte, produtora da mostra, uma confirmação da relevância e originalidade da produção artística brasileira mais recente.

Acabo de chegar da exposição Nova Arte Nova no CCBB (SP).  O cartaz  e os objetivos da mostra chamaram tanta a atenção que corri para ver e passei aqui para te contar o que tem de bom, ou não.

CARA, CADÊ OS GÊMEOS?


Os Gêmeos por apwbATTACK

Fiquei sabendo que “seleção das obras foi um processo muito trabalhoso e durou cerca de cinco meses”. Desculpa, mas não parece, o que me incomodou muito, muito, muito. Por acaso não seriam os Gêmeos artistas jovens fazendo novidade relevante (sim, existem novidades irrelevantes)? Veja bem, não me entendam mal. Não sou contra o que esses jovens, “artistas deste século”, fazem no recanto de seus ateliês e expõe nas galerias de maneira dispersa. Não, não sou. Mas, qualquer visita ao Beco do Batman (Rua Gonçalo Afonso, Vila Madalena, SP) atesta que a verdade também está lá fora.

A DIVERSIDADE


Tro-catroca (2007-2008), Daniel Toledo.

Eles sequer prestaram atenção nos artistas de rua. Ou pelo menos, na arte de rua. Mas vou dar o braço a torcer, tirando isso (como, como, como?), não se pode dizer que outras linguagens e suportes foram esquecidos. Tem vídeo, costura, água, escultura, o escambau. E de todo canto do país. Entre os audiovisuais, destaco Tro-catroca (2007-2008) de Daniel Toledo. A performance parece ter evoluído da idéia de fazer as pessoas trocarem de roupa (2001). Mas filmar a performance foi genial. Ri muito, pensei na roupa como identidade, como orientação sexual, como gênero, como consumo, no medo que as pessoas têm da nudez. Dez para ele.

OS INÉDITOS INCOMODARAM

Mas não entendi o motivo de haver tantos inéditos. Se a idéia era mostrar o que o jovens artistas fizeram para chamar a atenção da crítica, por que a maioria das obras foi feita em janeiro para serem expostas em fevereiro? Eu sei que o tempo flui muito mais rápido na pós-mudernidade, mas na minha irrestrita ignorância, fiquei sem entender como essas obras ganharam o elogio da crítica em tão pouco tempo.


Dois caixões durados e uma cama vermelha (2008), Houayek.

Um exemplo? Os dois caixões dourados e a cama vermelha de Hugo Houayek, por mais viajado que o cara seja. Entrei na obra, encostei no caixão e não “tinti” nada. A sorte é que não se pode impor o que é ou não arte para ninguém. É apenas uma questão de ponto de vista. Então, prepare o estômago e o repertório para ver a mostra. Tirando algo aqui e acolá, é tudo desse naipe. Não se trata de uma completa “perca” de tempo. Arte é que nem ovo cozido para quem gosta de ovo cozido, até quando é ruim é bom.

A PROVA DOS VINTE

A exposição está em quatro andares do CCBB_SP. Em cada sala fica um funcionário zelando pela integridade das obras. Eles revezam entre si a cada vinte minutos e pode-se dizer que esse pessoal, pelo tempo que permanece junto aos trabalhos, é um dos mais habilitados a criticá-los. Conversar com essas pessoas é sempre divertido, anotem.


Liquescer (2007), Mariana Manhães

No terceiro andar encontrei a "inevitável” escultura de Manhães (artista ganhadora do Prêmio Sergio Motta, mocinha que linco com muito prazer). Liquescente/Liquescer (2007) não passou na prova dos vinte e foi classificada pelo funcionário de plantão como “terrível” de se conviver.  É genial, mas concordo com a crítica. Dava vontade de pegar uma marreta e… Essa daí sim, nasceu clássica. Até você vai (adorar) odiar: clica, clica, clica e imagine-se vinte minutos ao lado desse conceito!!!

MAMÃE EU COMPRAVA


Falante (2008), Romano

E não, não concordo que essa seja a arte nova. Certamente meu gosto (repertório cultural, sociológico, psicológico, monetário, temporal) não bate com a maioria dos artistas. Muito menos com o a curadoria. Não compraria quase nada se estivesse à venda. Mas mamãe eu comprava (anotem, anotem, anotem) a escultura sonora itinerante de Romano e o Olho Cidade de Marcia Xavier (fiquei minutos olhando a obra pequena que é pequena, imagina se tivesse visto uma grande). Mas como diz uma das minhas obras preferidas nessa mostra: não, não prestem atenção.

O QUE, QUANDO, ONDE E COMO

Nova Arte Nova,de 27 de janeiro a 5 de abril de 2009,de terça-feira a domingo, das 10h às 20h. no Centro Cultural Banco de São Paulo, Rua Álvares Penteado 112. Centro. Entrada franca | Visitas orientadas à exposição | Terça a sábado – mediante agendamento prévio pelo telefone (11) 3113-3649 (de segunda a sexta, das 10h às 18h.) | Domingos – mediante solicitação no balcão de informações, no Térreo. Telefones: (11) 3113-3651/3652.

This entry was posted on Sunday, February 8th, 2009 at 16:49 and is filed under exposição. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. Both comments and pings are currently closed.

4 Responses to “Nova Arte Nova ou não…”

  1. Até quando fica a exposição?
    Bacana o seu questionamento sobre a ausência da arte de rua, tb adoro os Gêmeos.
    beijos.

    Comment by Vivien Morgato — February 9, 2009 @ 15:28
  2. Até dia 5 de abril. ;)

    Comment by Charô — February 10, 2009 @ 07:42
  3. A amostragem é bem esquisita. Difícil prever longa vida para artistas de obras tão efêmeras.

    Comment by Daniel Brazil — February 11, 2009 @ 13:26
  4. Tenho um amigo que se incomoda muito com a efemeridade. Vc tocou num ponto muito importante. Não sei o que pensar sobre isso, mas talvez ele saiba… Quem sabe ele posta sobre…

    Comment by Charô — February 11, 2009 @ 13:33