Volto logo.
Amanhã, se tudo der certo, farei a minha operação.
=)
Quem quiser ficar mais pertinho, basta mandar um zémail (charobouvierARROBAlive.com) ou seguir @acharolastra.
Até a volta!
Amanhã, se tudo der certo, farei a minha operação.
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Até a volta!
Não estou negando o poder do pensamento positivo na cura de qualquer doença. Veja bem, meu bem! =)
Mas tem horas que o mais complicado de se ter câncer é lidar com o fato de que as pessoas lêem qualquer sinal de humanidade como fraqueza. Ontem mesmo, decidi ir ao médico sozinha, para poder chorar no meio do caminho. E isso não quer dizer que desisti, só desopilei um pouquinho. Ufa!
Mas hoje de manhã não teve jeito, voltei a rir novamente. Eis a incrível história do homem que recusar a acreditar que tem câncer realmente inspira! Clica vai:
Deixo o linque para desencargo de consciência: Courageous Man Refuses To Believe He Has Cancer. Eu hein. Agora, pausa para um delicioso almoço. Beijo.com.br!
Coma sobre a relva, seja rápido. Dia ou outro, a relva comerá sobre você.
Jacques Prévert
Tem coisas que é melhor não enrolar para dizer. Então serei direta: recebi o diagnóstico de câncer de mama e o tumor é minúsculo. Pensei muito em postar (ou não) sobre o assunto. Finalmente decidi fazê-lo para desopilar a mente e falar, mesmo que en passant, sobre os exames preventivos.
A coisa toda é muito simples. A gente faz os exames para nunca receber um diagnóstico positivo. Of course meu bem. Porém, garanto que é menos pior descobrir um tumor pequeno do que “something else”, como aconteceu no meu caso. Fala-se em 90% de chances de cura.
Opero na semana que vem. Nesse momento, a maior dificuldade mesmo é abandonar a pimenta, recomendação do Oncoguia. Consigo viver sem cigarros (lá se vão 16 meses) mas sem pimenta? Ou seja, se no próximo post o assunto for crise de abstinência, escusa!
Por que em crítica de arte é que não estou pensando mesmo. Só consigo focar a lente na idéia de que, no final das contas, o mais importante é o que se faz entre o agora e “aquele minuto a menos” do qual ninguém escapa. Com ou sem câncer. Será que houve tempo, por exemplo, para partilhar qual é a minha obra de arte favorita em toda a história da arte?

Não? Então, a minha escolha é uma escultura da deusa Selket. Se encontrasse uma dessas, tascava um beijo. Na verdade são quatro estátuas, ainda influenciadas pela escola de Amarna. Sempre pensei que eram apenas três, formando um conjunto de Graças (aquelas que adoram dançar peladas), mas sua função era a guarda das vísceras de Tutankhamun.
Será que houve tempo de perguntar qual é a sua obra favorita? Não? Então… Qual sua obra favorita? Adoraria saber, certinho?
I am interested in ideas, not merely in visual products.
Duchamp
Nossa, consegui usar a palavra estremas num título no qual fizesse algum sentido.
[…]
Para minha surpresa, a arte contemporânea, como toda escola ou estilo, está ligada a um série de estremas/ características que a delimitam claramente ainda que esses parâmetros nem sempre sejam a melhor referência para sua classificação. Isso explicaria por que o artista ainda pinta. Ora, a técnica é tradicional mas a sua temática pode ser extremamente contemporânea.
Não é o caso da obra que ilustra ilustremente esse post, uma obra tradicional de arte contemporânea. Certamente todos se lembram do controverso trabalho de Guillermo Habacuc Vargas, aquele do cão que teria morrido durante uma exposição. Causou furor e reúne, pelo menos, 3 etiquetas contemporâneas. E é, nesses termos, semelhante a obra Exchange of two cans of milk for a wedding ring, feita em comemoração ao dia dos namorados).
Não cabe, de forma alguma, discutir os aspectos formais dessas obras. Faria alguma diferença se fosse um cão preto ou rosa? Se a marca da caixa de leite fosse A ou B?
A obra nem era o cachorro, simples veículo para o verdadeiro produto artístico da obra: a polêmica. E não me perguntem o que significam essas caixas de leite. Se alguém me perguntar, devolvo a pergunta com uma pergunta tão cômoda como “quanto você acha que vale?” Preguiça de arte contemporânea viu, mesmo sendo a minha seara. Aliás, nesse ponto, preciso fazer como Duchamp que desaprendeu, conscientemente, a desenhar…
Alguém sabe por onde anda o cachorro? E o leite?
[…]
Esse assunto continua. Não agora, depois.
Tive a mesma idéia estava toda feliz, elaborando as questões formais. Não deu tempo, nem dinheiro, de executar. Reconheço que a solução final encontrada por esse artista ficou muito melhor do que a minha, ainda num estágio “quadrado” e apoiada no chão.
As outras obras da "Abstract America: new painting and sculpture" aqui. Adianto que a coisa toda me pareceu mais do mesmo. Só linquei para indicar a fonte da imagem.
Rod Serling (1924-1975), conhecido pelo “Além da imaginação”, criou um programa de terror e fantasia inspirado em pinturas: Night Gallery ou Galeria do Terror. As telas, de gosto duvidoso, obviamente são o que menos importa. O bacana é ver o próprio Rod Serling e seu cabelo e dentição estranhos, apresentando adaptações de estórias pra lá de intrigantes e envolventes, emprestadas da literatura de horror, ficção científica, fantasia e suspense.

No post anterior, traduzi o texto que inspira um dos episódios da primeira temporada: A casa, de Andre Maurois. O gosto por literatura de primeira linha, isoladamente, já basta para recomendar de olhos fechados a série. Mas não é só isso. O modo como Serling interpreta visualmente cada intriga também impressiona. Tudo é muito simples, mas o conjunto faz a gente ficar de olho na tela para ver o que vai acontecer. Por exemplo, a atmosfera onírica em The house e sua trilha sonora.
Se bem que a presença de uma Bond Girls (Mata Hari, Cassino Royale, 1967) e toda sua experiência corporal, fez a coisa toda fica bem mais fácil. Outra característica divertida da série: casting e equipe. Orson Welles, o jovem Spielberg e Zsa Zsa Gabor participaram do projeto. Num dos episódios da primeira temporada, Joan Crawford (the evil herself) interpreta uma milionária cega disposta a pagar qualquer preço para voltar a enxergar por 12 horas.
A parte ruim da estória é que não é fácil encontrar a série que foi lançada, incompleta, em 2004. Ou seja, você pode pedir emprestado ou procurar por aí. Sempre se pode assistir a episódios online, como O cemitério.A parte ruim, episódio dois, é que o apelo da série talvez não se estenda a uma geração bem menos ingênua e medrosa que a gente. Ou seja, a coisa toda é vintage mesmo e não serve a qualquer paladar.
Esse era o sonho que se repetia, ao longo dos meses, com precisão e fidedignidade tais que acabei acreditando que certamente tinha visto esse bosque e essa propriedade em minha infância.
André maurois

Perséfone supervisiona Sísifo no Inferno, 530 A.C.
Da mesma forma que foi feito com a História, foi considerada a morte da pintura. Sem ir muito longe, no post anterior sobre o Objeto Imaginado, fala-se que o plano da tela estaria conquistado. Mas a pintura teria morrido mesmo? Quando visitar essa exposição, não perca a oportunidade de visitar a I Mostra do Programa de Exposições 2009, CCSP e conferir a resposta.
A nova cobertura prevê “proteção a radiação solar”. Sim, adeus domus . Bons argumentos técnicos eles têm, mas… E a poesia? Dorzinha, bateu uma nostalgia geral no meu coraçãozinho. =(